Via de regra, crossovers nas histórias em quadrinhos resultam em histórias de baixa qualidade.
Alguns dos primeiros crossovers foram os famigerados amálgamas entre personagens da Marvel e DC, que resultaram na criação de novos heróis com péssimas histórias e também embates de personagens que foram decididos pela votação popular, na era pré-internet, em que o que ocorria era basicamente um concurso de popularidade.
Raras e louváveis exceções também existem, como o incrível crossover entre a Liga da Justiça e os Vingadores, escrito por Kurt Busiek e com a arte do saudoso George Pérez.
Outra menção honrosa é o crossover entre o Batman e o Predador, publicado por aqui no início da década de 90 pela Editora Abril em três partes. Eu tive a sorte de achar essa trilogia completa em um sebo da minha cidade com um preço muito bom, que sorte a minha!
E o Predador é um personagem muito útil para esse tipo de história porque ele se encaixa bem em praticamente qualquer universo ficcional. Ele é um alienígena de uma raça de caçadores que singra o cosmos em busca de presas que ele considere dignas do seu esforço.
E se o Batman era bom o bastante para tretar com o bichão, o que dizer então do Juiz Dredd? Ou, melhor ainda, um planeta inteiro repleto de juízes prontos para serem caçados?
Em uma noite qualquer entre o final dos anos 90 e o início dos anos eu estava assistindo a finada MTV Brasil, depois de zapear entre os canais de TV à cabo da também finada TVA na casa dos meus avós, quando decido parar para assistir o Lado B, programa do VJ Fabio Massari, dedicado a bandas alternativas, que não tinham muito espaço na programação regular da MTV.
Me lembro que ali assisti a clipes que nunca veria em qualquer outro lugar, clipes de bandas como Rammstein, Weezer, Pixies, PIL, Sonic Youth, entre muitos outros que já caíram no esquecimento.
Mas a banda que mais me marcou na época foi uma banda argentina de Punk Rock chamada Attaque 77.
Não me lembro qual clipe da banda o Massari exibiu, mas me lembro que ele estava com um CD recente dela, chamado Trapos, um disco ao vivo, no qual ele dizia que a música de abertura era um cover de Perfeição (rebatizada como "Perfeccíon") da Legião Urbana, mas cantada em espanhol.
Aquilo me impressionou e ficou na minha cabeça. Como assim tem uma banda de punk rock da argentina fazendo cover de Legião Urbana? Isso não fazia sentido! Vale dizer que na época eu ainda gostava muito de Legião. Ainda gosto hoje em dia, mas muito menos do que antigamente.
Lançado em 1999, There is nothing left to lose é o terceiro disco da banda americana Foo Fighters. Seu frontman, guitarrista, compositor, líder e idealizador Dave Grohl já era figura conhecida no mundo do rock por ter sido o baterista do Nirvana.
O Foo Fighters já tinha conseguido algum sucesso com seus álbums anteriores, o Foo Fighters de 1995 e o The colour and the shape, de 1997, que emplacou singles nas rádios e clipes na MTV.
Porém, There is nothing left to lose foi um divisor de águas para a banda aqui no Brasil. Seus clipes foram exibidos à exaustão na finada MTV Brasil e também no TOP TVZdo canal Multishow, neste com direito a legendas.
Me lembro que nesta época, no início dos anos 2000 (caramba, lá se vão 25 anos), eu ainda estava no cursinho de inglês, tal qual o Eduardo de Eduardo e Mônica, e vez ou outra a professora nos deixava escolher clipes para assistirmos na aula (provavelmente para ganhar um descanso) e desenvolvermos nosso "listening" de maneira lúdica.
Você consegue imaginar hoje em dia um curso de inglês exibindo um clipe de qualquer banda de rock que seja? Rock mesmo, não Imagine Dragons ou Coldplay. Eu não.
Learn to fly, a terceira faixa do disco, tocou à exaustão graças ao seu fácil refrão e ao clipe bem-humorado, que se destacava em meio à enxurrada de clipes de boy e girl bands, ostentação com o hip-hop americano e os clipes mais sombrios das bandas de new metal.
Memórias Póstumas de Brás Cubas foi um dos primeiros livros "adultos" que li na vida.
Certamente foi o primeiro romance, se é que assim podemos chamar as desventuras de defunto Brás.
Publicado originalmente como folhetim na Revista Brasileira no ano de 1880 com o nome de Memorias Posthumas de Braz Cubas e tendo deixado eterna uma das mais famosas citações da literatura brasileira, ou ao menos da Machadiana:
Ao verme
que
primeiro roeu as frias carnes
do meu cadáver
dedico
como saudosa lembrança
estas
memórias póstumas
Bem como também a famosa frase que fecha a obra:
Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria
Li pela primeira vez estas Memórias quando tinha entre 12 e 14 anos, me perdoem a minha imprecisão etária.
A coisa é que na época gostei muito da leitura, feita em uma daquelas edições de bolso bem baratas da Martin Claret em que o papel é quase transparente, a letra é minúscula e as capas eram tão horrorosas que o ChatGPT teria vergonha de tê-las produzido mesmo com o pior do Prompts.
Gostei tanto que na época eu achei um VHS do filme em uma locadora e aluguei e vi com a minha família na casa dos meus avós paternos.
O filme era estrelado por Reginaldo Faria, ator global, e o humor satírico, defuntico e em primeira pessoa me agradou demais.
No entanto, nunca mais retornei à obra, seja ela no papel ou nas telas.
Recentemente, navegando pelo site do rio Amazônico, me deparei com inúmeras versões de diferentes editoras para obras do Bruxo do Cosme Velho e reencontrei os escritos do velho autor desencarnado.
Pensei que já era hora de revisitar tão querida obra e também ter uma versão digna da mesma. A edição vencedora da minha licitação pessoal foi a da Editora Itatiaia. Preço bom, capa bonita, papel de boa gramatura, tudo como manda o figurino.
Só senti falta de textos de apoio sobre o autor (Machado, não o Cubas) e também um pouco de contexto da época, a história da publicação ao longo do tempo, etc.
Mas acho que por R$14,95 os editores da Itatiaia acreditaram que tais mimos seriam ir longe demais. Não os julgo.
Chegado o livro, era hora de debruçar-me e aproveitar a obra novamente. Após tanto tempo, seria praticamente como lê-la pela primeira vez.
Só que dessa vez achei-a chatíssima!
Brás Cubas (ou Machado de Assis) não consegue ser objetivo, o livro por muitas vezes é tedioso e desinteressante, como ambos os autores, real e ficcional, confessam:
Começo a arrepender-me desse livro. [...] o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica [...] este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
Não poderia concordar mais.
O velho Brás não passava de um mimado filhinho de papai, um herdeiro com a vida ganha que nunca teve grandes preocupações na vida a não ser seus namoricos e paixonites agudas que levaram-no do nada ao lugar nenhum e fizeram seu pai e tios fazerem-lhe uma intervenção à lá Charlie Sheen (OFF: quem viu o documentário dele na Netflix pegou a referência) e mandá-lo à força para Portugal, a fim que fizessem faculdade e depois retornasse à Terra de Vera Cruz para seguir carreira, talvez até na política, nobre ofício, e elevar o nome da família Cubas a patamares jamais vistos.
Não bastante, seu grande amor tinha que ser uma mulher casada e com filhos, esposa de um político em ascensão.
Quase estragou a vida da dita cuja e ainda jogou a sua pela janela, pois não realizou nada digno de nota, a não ser a nota para dizer que não teve filho algum.
Lembro que muito tempo depois de ter lido este e outros livros do Machado de Assis, navegando pela ainda verde, livre e selvagem internet do início dos anos 2000, vi uma crítica do
Millôr Fernandes, outro ator que gosto muito (será que ainda gosto mesmo) e um dos responsáveis por tirar meu cabaço literário com livros herdados do meu falecido avô, que dizia que Machado de Assis era um bobo.
Lembro que na época fiquei chocado e decepcionado porque um dos meus autores preferidos - até então - criticou meu outro autor preferido - até então - e não só isso, mas criticou uma vaca sagrada da Literatura Brasileira.
Que bobo era eu. Por que Assis não poderia ser criticado?
Hoje, ainda não posso dizer que concordo que Machado de Assis era um bobo. Mas, sem dúvida, Brás Cubas era, tanto em vida quanto em defunto.
PS: Tem o filme completo no Youtube. Me lembrei de que no filme eles dão muita ênfase no emplastro. No livro mal falam disso. Ou seria um dos pequenos capítulos que eu pulei para terminar logo? Pode ser.
PS2: Já terminando de editar este post, descobri que o romance virou trend no TikTok no ano passado. Está aí o link para quem quiser conferir. Fiquem tranquilos que ninguém fez dancinha.
Dizem que agosto é o mês de desgosto, mas pqp hein, que setembro tenebroso..
Só notícias ruins no Brasil e no mundo: economia, guerras, conflitos, assassinatos, ódio do bem, manipulação midiática, etc, etc.
Fiquei sem vontade de escrever nas últimas semanas por conta desses ocorridos, mas pessoalmente vai tudo bem por aqui.
Resolvi testar um novo formato, um apanhado do que eu julgar mais relevante compartilhar do que eu fiz no mês, acho que fica mais fácil e objetivo compartilhar alguma coisa assim.
Então vamos ao teste.
Tem algumas coisas de agosto misturadas aí no meio.
Quero fazer algo muito objetivo, curto e grosso.
Leituras
Megalex
Mais uma obra maluca do Jodorowski. Lastreada em fezes XD
Superman: O que há de errado com verdade, justiça e um mundo melhor?
Achei legal, porém esperava um pouco mais. No geral valeu a pena, acho até que vale um review só pra ela.
Conan, o Bárbaro (Titan Comics) 1-4
Falaram que essa HQ estava bem melhor que a sua "irmã", A Espada Selvagem de Conan. A julgar por esse primeiro arco, achei inferior.
Rei Conan Omnibus Vol.1
Ainda não terminei a leitura deste volume. Fiquei quase um ano "namorando" ele, esperando um desconto que nunca vinha. Cansei de esperar e comprei e valeu cada centavo. Para mim, a versão de Conan da Dark Horse é a adaptação definitiva do personagem.
Filmes
Conan, o Barbáro (1982)
Havia muito anos que eu tinha assistido a esse filme, não me lembrava de nada. Achei o filme bem "exótico", me surpreendeu ver o James Earl Jones (Darth Vader) como o vilão da história. A atuação dele é de longe a melhor do filme.
Achei essa versão do Conan bem bundona. Cenas de ação bem fracas, roteiro meio nada a ver com nada, o Conan em si é meio lerdão. Acho que não dá nem pra dizer que o filme envelheceu mal porque ele já devia ser ruim na época. Lembro um pouco melhor do segundo filme, esse acho que deve ser um pouco melhor.
Muita pagação de peitinho e cenas de sexo, como o SBT passava esse troço no meio da tarde? Kkk!
Superman (2025)
Fui com expectativa alta ver esse filme e achei um filme OK. Entretém, mas os coadjuvantes Guy Garnder, Krypto e Hélio de La Peña são mais interessantes que o azulão. A equipe da redação do jornal que o Clark trabalha não adiciona em nada no filme.
Hélio de La Peña como Mr Terrific
Séries
Wotakoi: O amor é difícil para Otakus (animê)
Animê de comédia nerd, achei bem leve e divertido. Recomendo fortemente, principalmente para ver com a patroa.
Não é bem o que parece...
Depois da Chuva (animê)
Achei que seria um animê mais interessante pela temática, uma ninfetinha colegial de 17 anos que se apaixona pelo chefe de 45 anos meio loser. Porém, o motivo de tal paixonite não é explicado muito bem, a admiração que ela sente chega a ser irritante e a protagonista é meio songa-monga. É uma obra lenta e arrastada em que acontece pouca coisa. Não sei como terminei de ver essa série. Só recomendo se quiser ver algo bem light pra relaxar, mas vá com a expectativa bem baixa.
Bonitinho, mas chato e arrastado
O Pacificador
Ainda não terminei a segunda temporada, que veio muitos anos depois da ótima primeira temporada. Por enquanto ainda não me empolgou.
Videogames
Alan Wake Remastered
Jogão, mas o final da história é muito confuso. Ainda assim recomendo, principalmente se você curte jogos com boas histórias e está de saco cheio de jogos de mundo aberto e Metroidvanias.
Level Devil
Joguinho de browser, ficou famoso no Instagram pela dificuldade. Mas na verdade nem é tão difícil assim, ele é mais sacana que difícil. Zerei em mais ou menos uma hora.
Yoshi's Crafted World
Jogo muito fofo e bonito, zerei jogando com minha filha e esposa, então teve um gosto especial. Adoro essa franquia do Yoshi, recomendo muito! Mas ainda prefiro os jogos do SNES e do Wii U.
X-Men vs Street Fighter
Zerei no Switch, não sei se eu não consigo mais jogar esse tipo de jogo ou se era bem mais fácil jogar com o controle de fliperama e Playstation. Achei muito difícil fazer os golpes e eu jogava isso muito bem.