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27/10/2025

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Às vezes as nossas memórias nos enganam

Memórias Póstumas de Brás Cubas foi um dos primeiros livros "adultos" que li na vida. 

Certamente foi o primeiro romance, se é que assim podemos chamar as desventuras de defunto Brás.

Publicado originalmente como folhetim na Revista Brasileira no ano de 1880 com o nome de Memorias Posthumas de Braz Cubas e tendo deixado eterna uma das mais famosas citações da literatura brasileira, ou ao menos da Machadiana:

Ao verme

que

primeiro roeu as frias carnes

do meu cadáver

dedico

como saudosa lembrança

estas

memórias póstumas

Bem como também a famosa frase que fecha a obra:

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria

Li pela primeira vez estas Memórias quando tinha entre 12 e 14 anos, me perdoem a minha imprecisão etária.

A coisa é que na época gostei muito da leitura, feita em uma daquelas edições de bolso bem baratas da Martin Claret em que o papel é quase transparente, a letra é minúscula e as capas eram tão horrorosas que o ChatGPT teria vergonha de tê-las produzido mesmo com o pior do Prompts. 

Gostei tanto que na época eu achei um VHS do filme em uma locadora e aluguei e vi com a minha família na casa dos meus avós paternos. 

O filme era estrelado por Reginaldo Faria, ator global, e o humor satírico, defuntico e em primeira pessoa me agradou demais. 

                                                              

No entanto, nunca mais retornei à obra, seja ela no papel ou nas telas. 

Recentemente, navegando pelo site do rio Amazônico, me deparei com inúmeras versões de diferentes editoras para obras do Bruxo do Cosme Velho e reencontrei os escritos do velho autor desencarnado.

Pensei que já era hora de revisitar tão querida obra e também ter uma versão digna da mesma. A edição vencedora da minha licitação pessoal foi a da Editora Itatiaia. Preço bom, capa bonita, papel de boa gramatura, tudo como manda o figurino. 

Capa da edição de Memórias póstumas de brás cubas da editora Itatiaia

Só senti falta de textos de apoio sobre o autor (Machado, não o Cubas) e também um pouco de contexto da época, a história da publicação ao longo do tempo, etc. 

Mas acho que por R$14,95 os editores da Itatiaia acreditaram que tais mimos seriam ir longe demais. Não os julgo.

Chegado o livro, era hora de debruçar-me e aproveitar a obra novamente. Após tanto tempo, seria praticamente como lê-la pela primeira vez.

Só que dessa vez achei-a chatíssima!

Brás Cubas (ou Machado de Assis) não consegue ser objetivo, o livro por muitas vezes é tedioso e desinteressante, como ambos os autores, real e ficcional, confessam:

Começo a arrepender-me desse livro. [...] o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica [...] este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...

Não poderia concordar mais. 

O velho Brás não passava de um mimado filhinho de papai, um herdeiro com a vida ganha que nunca teve grandes preocupações na vida a não ser seus namoricos e paixonites agudas que levaram-no do nada ao lugar nenhum e fizeram seu pai e tios fazerem-lhe uma intervenção à lá Charlie Sheen (OFF: quem viu o documentário dele na Netflix pegou a referência) e mandá-lo à força para Portugal, a fim que fizessem faculdade e depois retornasse à Terra de Vera Cruz para seguir carreira, talvez até na política, nobre ofício, e elevar o nome da família Cubas a patamares jamais vistos.

Não bastante, seu grande amor tinha que ser uma mulher casada e com filhos, esposa de um político em ascensão.

Quase estragou a vida da dita cuja e ainda jogou a sua pela janela, pois não realizou nada digno de nota, a não ser a nota para dizer que não teve filho algum. 

Lembro que muito tempo depois de ter lido este e outros livros do Machado de Assis, navegando pela ainda verde, livre e selvagem internet do início dos anos 2000, vi uma crítica do


Millôr Fernandes
, outro ator que gosto muito (será que ainda gosto mesmo) e um dos responsáveis por tirar meu cabaço literário com livros herdados do meu falecido avô, que dizia que Machado de Assis era um bobo.

Lembro que na época fiquei chocado e decepcionado porque um dos meus autores preferidos - até então - criticou meu outro autor preferido - até então - e não só isso, mas criticou uma vaca sagrada da Literatura Brasileira. 

Que bobo era eu. Por que Assis não poderia ser criticado? 

Hoje, ainda não posso dizer que concordo que Machado de Assis era um bobo. Mas, sem dúvida, Brás Cubas era, tanto em vida quanto em defunto.

PS: Tem o filme completo no Youtube. Me lembrei de que no filme eles dão muita ênfase no emplastro. No livro mal falam disso. Ou seria um dos pequenos capítulos que eu pulei para terminar logo? Pode ser.

PS2: Já terminando de editar este post, descobri que o romance virou trend no TikTok no ano passado. Está aí o link para quem quiser conferir. Fiquem tranquilos que ninguém fez dancinha.


01/10/2025

Fechamento Setembro/2025

 Dizem que agosto é o mês de desgosto, mas pqp hein, que setembro tenebroso..

Só notícias ruins no Brasil e no mundo: economia, guerras, conflitos, assassinatos, ódio do bem, manipulação midiática, etc, etc.

Fiquei sem vontade de escrever nas últimas semanas por conta desses ocorridos, mas pessoalmente vai tudo bem por aqui.

Resolvi testar um novo formato, um apanhado do que eu julgar mais relevante compartilhar do que eu fiz no mês, acho que fica mais fácil e objetivo compartilhar alguma coisa assim. 

Então vamos ao teste.

Tem algumas coisas de agosto misturadas aí no meio.

Quero fazer algo muito objetivo, curto e grosso.

Leituras

  • Megalex

Mais uma obra maluca do Jodorowski. Lastreada em fezes XD

  • Superman: O que há de errado com verdade, justiça e um mundo melhor?

Achei legal, porém esperava um pouco mais. No geral valeu a pena, acho até que vale um review só pra ela.

  • Conan, o Bárbaro (Titan Comics) 1-4

Falaram que essa HQ estava bem melhor que a sua "irmã", A Espada Selvagem de Conan. A julgar por esse primeiro arco, achei inferior.
  • Rei Conan Omnibus Vol.1
Ainda não terminei a leitura deste volume. Fiquei quase um ano "namorando" ele, esperando um desconto que nunca vinha. Cansei de esperar e comprei e valeu cada centavo. Para mim, a versão de Conan da Dark Horse é a adaptação definitiva do personagem.

Filmes

  • Conan, o Barbáro (1982)

Havia muito anos que eu tinha assistido a esse filme, não me lembrava de nada. Achei o filme bem "exótico", me surpreendeu ver o James Earl Jones (Darth Vader) como o vilão da história. A atuação dele é de longe a melhor do filme.

Achei essa versão do Conan bem bundona. Cenas de ação bem fracas, roteiro meio nada a ver com nada, o Conan em si é meio lerdão. Acho que não dá nem pra dizer que o filme envelheceu mal porque ele já devia ser ruim na época. Lembro um pouco melhor do segundo filme, esse acho que deve ser um pouco melhor.

Muita pagação de peitinho e cenas de sexo, como o SBT passava esse troço no meio da tarde? Kkk!

conan whats best in life


  • Superman (2025)

Fui com expectativa alta ver esse filme e achei um filme OK. Entretém, mas os coadjuvantes Guy Garnder, Krypto e Hélio de La Peña são mais interessantes que o azulão. A equipe da redação do jornal que o Clark trabalha não adiciona em nada no filme.

Hélio de La Peña como Mr Terrific

Séries

  • Wotakoi: O amor é difícil para Otakus (animê)

Animê de comédia nerd, achei bem leve e divertido. Recomendo fortemente, principalmente para ver com a patroa.

wotakoi boobs
Não é bem o que parece...


  • Depois da Chuva (animê)

Achei que seria um animê mais interessante pela temática, uma ninfetinha colegial de 17 anos que se apaixona pelo chefe de 45 anos meio loser. Porém, o motivo de tal paixonite não é explicado muito bem, a admiração que ela sente chega a ser irritante e a protagonista é meio songa-monga. É uma obra lenta e arrastada em que acontece pouca coisa. Não sei como terminei de ver essa série. Só recomendo se quiser ver algo bem light pra relaxar, mas vá com a expectativa bem baixa.

after the rain gif
Bonitinho, mas chato e arrastado

  • O Pacificador

Ainda não terminei a segunda temporada, que veio muitos anos depois da ótima primeira temporada. Por enquanto ainda não me empolgou.

peacemaker gif

Videogames

  • Alan Wake Remastered

Jogão, mas o final da história é muito confuso. Ainda assim recomendo, principalmente se você curte jogos com boas histórias e está de saco cheio de jogos de mundo aberto e Metroidvanias.

  • Level Devil

Joguinho de browser, ficou famoso no Instagram pela dificuldade. Mas na verdade nem é tão difícil assim, ele é mais sacana que difícil. Zerei em mais ou menos uma hora.

level devil gif

  • Yoshi's Crafted World

Jogo muito fofo e bonito, zerei jogando com minha filha e esposa, então teve um gosto especial. Adoro essa franquia do Yoshi, recomendo muito! Mas ainda prefiro os jogos do SNES e do Wii U.

Yoshi's Wooly World


  • X-Men vs Street Fighter

Zerei no Switch, não sei se eu não consigo mais jogar esse tipo de jogo ou se era bem mais fácil jogar com o controle de fliperama e Playstation. Achei muito difícil fazer os golpes e eu jogava isso muito bem.

x-men vs street fighter gif



02/09/2025

Vocês também estão de saco cheio?

saco cheio
Imagem criada com Gemini 2.5

Segunda-feira passada, tive folga no trabalho, foi feriado. Mas sabe que eu nem comemoro mais feriados? 

Claro, não ter que trabalhar no dia é ótimo, mas já não tenho aquela alegria de antes. Penso que os motivos são porque eu trabalho de Home Office desde a pandemia, mas o principal é porque quase todos os meus amigos não moram mais na mesma cidade que eu. Foram embora para outros estados do Bananil e também para outros países.

Mas não é só isso.

Hoje eu ganho relativamente bem. Financeiramente falando, nunca estive melhor em termos de renda absoluta. Mas os gastos também não param de aumentar.

Tenho 39 anos e me dou conta que certos sonhos que eu tinha não vão se realizar por questões financeiras. Ou talvez eu tenha dinheiro para eles um dia, mas provavelmente já vou estar tão velho que não vou ter mais saúde ou vontade de realizá-los.

Para cada boa notícia que chega, vêm três ruins a reboque.

Tudo piora a cada dia (ou pelo menos tenho essa sensação): economia, política, saúde, comida, música, futebol, filmes, quadrinhos, livros...

Ozzy morreu, o Aerosmith pendurou as chuteiras, Bon Jovi não tem mais voz, Axl Rose virou uma caricatura de si mesmo.

A seleção brasileira que já foi motivo de orgulho, hoje é vista como, na melhor das hipóteses, de forma indiferente.

Filmes bons são cada vez mais raros. Filmes de comédia então já praticamente não existem, e os que ainda existem são bem ruins (vou abrir uma exceção para o remake de 'Corra que a polícia vem aí' que eu não vi ainda, mas parece promissor).

Enfim, white people problems...

Veja, não estou falando que minha vida está ruim. Mas sinto que poderia estar bem melhor, mais vibrante. Mas sinto que as coisas estão meio opacas, sem perspectiva de melhora em várias áreas.

Final de semana passado um amigo que mora fora do Bananil veio nos visitar, conseguimos reunir quatro pessoas em pleno sábado à noite em um rock bar, me senti renovado.

Mas ele já foi embora e a rotina voltou.

O seu mundo também está descolorido e desencantado?

Acho que a expressão-clichê que resume esse post chororô seria "mundo em desencanto".

21/08/2025

Por que ainda escrevo um blog em 2025?

blog

Outro dia me deparei com esta postagem no blog do Neófito, colega de longa data aqui da "blogosfera".

Ele tenta responder à seguinte questão: Por que ainda escrevemos um blog em 2025?

Blogs são ultrapassados, anacrônicos, mofados. Um blog do blogspot ainda mais. Que coisa mais anos 2000.

Eles eram relevantes no começo da massificação da internet, na era em que as únicas redes sociais eram o Orkut e o Fotolog. 

Aqui podíamos guardar os (poucos) memes que circulavam na "web", podíamos escrever nossas sinceras opiniões sobre qualquer coisa, sem medo de censura ou cancelamento. Eram tempos mais livres, simples e divertidos.

Sim, eu estou sendo saudosista, sendo um velho chato que acha que tudo era melhor no passado, respeite meus 39 anos, por favor.

Mas olhando para trás é assim que eu me recordo dessa época onde era tudo "mato virtual".

Claro que hoje temos muitas praticidades das quais eu não abro mão. Não ter mais que ir a uma agência de banco é maravilhoso, ter qualquer série ou filme disponível e acessível em qualquer tempo, hora e lugar também.

Mas a "arte" de blogar foi caindo no esquecimento com a popularização do Youtube e das redes sociais. Só uns poucos esquisitos ainda insistem nisso aqui.

Para ganhar dinheiro? Duvido muito. Seria bem-vindo, mas definitivamente não é o meu caso nem o da maioria.

Escrevemos porque faz bem para a cabeça, porque às vezes tem algum pensamento, sentimento ou opinião querendo sair da cabeça ou do peito e não temos tempo, paciência ou recursos para gravar um vídeo, não queremos o julgamento do nosso círculo social, ou preferimos o prazer de digitar as palavras em um teclado e vê-las aparecendo na tela e, depois de pronto, contemplá-las como um pequeno filho que acabou de nascer. 

Um fruto de um trabalho bem feito, um pedaço de nós que descolou da nossa consciência e agora está compartilhado com o mundo.

Somos esquisitos? Provavelmente.

Anacrônicos? Com certeza.

Mas nos sentimos bem fazendo isso? Absolutamente sim.

Escrevemos principalmente para nós mesmos. Alguns ainda têm o mérito (ou o fardo) de escreverem para uma audiência cativa.

Não tenho mais o interesse de divulgar minhas opiniões sobre quadrinhos, músicas, filmes, etc, para ninguém.

Eu escrevo aqui e quem cair de paraquedas e ler, ótimo.

Se ninguém ler ou não gostar, tudo bem também.

Escrever um blog hoje é tipo a penseira das histórias do Harry Potter. Serve para tirar pensamentos da cabeça e deixá-la mais leve. 

18/08/2025

Juiz Dredd Essencial: Dia do Julgamento

 

Juiz Dredd Essencial Dia do Julgamento
Mal a poeira baixou após os eventos de "Necrópole" e a Megona e o Juiz Dredd já tem que enfrentar uma nova catástrofe: o Dia do Julgamento chegou para Mega-City Um!

Porém, diferentemente do ocorrido no arco Necrópole, desta vez o genocídio demoníaco não ficará restrito somente à jurisdição -e tempo- do Juiz com queixo de pedra. O Dia do Julgamento chegou para todo o planeta terra e em épocas diferentes! Explico.

No ano de 2178, o Necromago Sabbat fez os mortos voltarem do além-vida e andarem novamente pelo planeta Bethsheba. Após o planeta fica incomunicável, as autoridades descobriram que o planeta agora só abrigavam mortos comedores de carne e também que o Necromago estava exportando seus cadáveres ambulantes em naves para outros planetas a fim de fazer o mesmo em nível galático. A decisão foi óbvia: explodir o planeta Bethsheba antes que o mal se espalhasse.

Mas isso não foi o bastante, pois Sabbat viajou no tempo, voltando ao ano de 2114. Deu muito azar, pois um tal de Juiz Dredd era a lei nesse ano...

Para impedir que o Necromago destruísse o passado e consequentemente o futuro, as autoridades de 2178 enviaram o mutante caçador de recompensas Strontium Dog para dar cabo de Sabbat. O mutante já havia viajado para esse período e tretado feio com Dredd, então ele sabia que haveria muito mais com o que lidar além do necromante.

Juiz Dredd Dia do Julgamento

Juiz Dredd Dia do Julgamento
Deus me livre, mas quem me dera...


Em questão de dias após a chegada de Sabbat, várias cidades do mundo já estavam à beira do colapso: Mega City Um, Mega City Dois, Sulamérica, Djakarta, Sino-City, Hondo City e.. Brasília! 

Acho que os zumbis morreriam de indigestão com a carne dos seres abjetos e podres que habitam por lá!

 

E se vocês leram a saga da Necrópole, sabem que não faltam cadáveres, ao milhões, enterrados nos portões da Megona para serem usados como "matéria-prima" por um necromante.


Se em Necrópole tínhamos um clima de terror no ar, em "Dia do Julgamento" o clima é de urgência, decisões difíceis e resultados improváveis sendo desafiados a todo momento, além de uma competiçãozinha de "quem tem o p*u maior" rolando entre Dredd, Strontium Dog (que já tretou com o Juiz em uma história ainda não publicada aqui no Brasil) e Totaru Sadu, o Juiz-Inspetor de Hondo City.

Aliás, vale destacar aqui, é bem legal vendo os juízes de outras cidades interagindo entre si nesse arco. Temos os juízes do que seriam respectivamente Japão, Texas e China. Gostaria de ver como seria o Juiz de Brasília. Será que ele seria careca? Pois já temos um Juiz por aqui que é Júri e executor...

Este arco tem tudo o que você poderia pedir de uma história do Juiz Dredd: tiro, porrada, bomba, testosterona no talo e muitos drokkados para serem servidos à justiça. Se você gosta das histórias do queixo de pedra pode ir sem medo!

Juiz Dredd Dia do Julgamento
A história é assinada por John Wagner (argumento) e Garth Ennis (argumento e roteiros) e a arte conta com o sempre incrível Carlos Ezquerra, Peter Doherty, Dean Ormston e Chrill Halls.