Eu li pela primeira vez a HQ Uma noite em L'Enfer em 2016, logo após comprar um exemplar devidamente autografado na CCXP. Naquela época o evento ainda não era tão engana-trouxa como é hoje em dia, mas isso é assunto para um outro dia.
Me interessei pela temática da HQ ao ver alguns reviews de gibitubers ou coisa que o valha. No evento, conheci o simpático autor David Calil e tirei uma foto com ele. Vou ficar devendo a foto porque sabe Deus onde ela está nesse mundo virtual. Mas vocês podem ver o autógrafo abaixo.
O fato é que li a história e gostei bastante. Fiquei com a informação na cabeça de que ela foi inspirada no livro do autor brasileiro Álvares de Azevedo, publicado póstumamente em 1855. A temática, um tanto mórbida, especialmente para autores tupiniquins, me deixou espantado na época.
Recentemente, achei uma edição de 'Uma noite na taverna' com uma capa bem bonita e baratinha na Amazon e resolvi comprá-la e matar a minha curiosidade sobre a obra original.
Bom, posso dizer que o quadrinho é bem melhor que o livro.
O livro de Álvares de Azevedo, apesar de curto (tem apenas 96 páginas), tem uma leitura arrastada. Em parte pelo português bastante antigo, mas principalmente pela escrita do autor. Imagino que seja porque ele era um dos grandes nomes do romantismo no Brasil. Seus personagens sofrem demais, amam demais, bebem demais, usam drogas demais, são canalhas demais, enfim... não consegui simpatizar com nenhum deles.
A história me lembrou um episódio dos Simpsons, onde o Homer, depois de fugir do hospital onde doaria um órgão para o seu pai, se encontra em um navio com sujeitos deploráveis que praticaram os piores crimes ou pecados possíveis. Essa Taverna de Álvares de Azevedo é mais ou menos assim, um pior que o outro.
Sobre L'Enfer, Calil não faz uma adaptação da obra, pelo menos não literalmente. Ele usa a Taverna de Álvares como base, porém inclui elementos originais.
Na história original temos os protagonistas Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius e Johann, todos pretensos poetas. Na adaptação de Calil eles são substituídos por Van Gogh, Gauguin, Lautrec, Klimt e Goya, todos pintores renomados. Destes, apenas Goya não era contemporâneo dos demais, uma pequena licença-poética para melhor fluidez na história.
Enquanto a escrita de Álvares é arrastada e romântica até demais, a arte cartunesca de Davi Calil, com excelentes cores de Mariana Calil, enxuga a verborragia e traz uma leveza e humor ausentes na obra original.
O tamanho grande da HQ, 27x20, e o papel de boa gramatura valorizam ainda mais a arte, deixando a leitura muito agradável.
Ah, quase ia me esquecendo: o título Uma noite em L'Enfer não é por acaso. Calil trocou não só os protagonistas de Azevedo, mas transportou-os para o Cabaret L'Enfer, que existiu no final do século XIX em Paris.
O tal cabaré tinha um visual um tanto diabólico até mesmo para os dias de hoje. A HQ traz um posfácio bem completo falando sobre o cabaré, a Belle Époque e sobre os pintores-protagonistas da trama. Material completíssimo e que eu recomendo fortemente, porém infelizmente essa HQ não está mais disponível no mercado.
Uma Noite em L'Enfer tem 192 páginas e foi publicado em 2016 pela Editora Mino.
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário